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Um dia...
Um passarinho saiu voando e pousou sobre uma árvore antiga, descascada pelo tempo e pelo vento. Com alguns galhos quebrados, a árvore o recebeu.
Dela comeu os seus frutos. Nela dormiu e fez o seu leito. Suas folhas o protegeram da chuva. Sua altura não deixou que outros animais o devorassem.
Sem se despedir, um dia ele voou sem destino. De árvore em árvore pousou. Esqueceu a árvore antiga. Com o passar do tempo as folhas caíram, os frutos perderam o sabor, as raízes foram secando até que ela morreu. O passarinho continuou voando. Conheceu frutos bons e ruins. Um dia, suas penas foram perdendo a cor; perdeu depois as penas. Lembrou-se da árvore antiga. Da árvore amiga. Mas já não tinha penas para voar até ela. Distanciara-se tanto que não sabia mais como encontrá-la. Tentou caminhar, a floresta era muito perigosa e com muitos animais selvagens. Foi atacado. Não resistiu e morreu. O vento soprou as folhas secas da árvore antiga e fez esvoaçarem as penas que restaram do passarinho. À noite, duas luzes se ergueram do chão em direção ao céu. Nele se fundiram e formaram um todo, iluminando o bosque e gerando vida. Choveu. As gotas alimentaram novas células, que com a luz se reproduziram e cresceram.

ESCRITO EM 2002