Um
dia...
Um passarinho saiu voando e pousou sobre uma árvore antiga, descascada
pelo tempo e pelo vento. Com alguns galhos quebrados, a árvore
o recebeu.
Dela comeu os seus frutos. Nela dormiu e fez o seu leito. Suas folhas
o protegeram da chuva. Sua altura não deixou que outros animais
o devorassem.
Sem se despedir, um dia ele voou sem destino. De árvore em árvore
pousou. Esqueceu a árvore antiga. Com o passar do tempo as folhas
caíram, os frutos perderam o sabor, as raízes foram secando
até que ela morreu. O passarinho continuou voando. Conheceu frutos
bons e ruins. Um dia, suas penas foram perdendo a cor; perdeu depois
as penas. Lembrou-se da árvore antiga. Da árvore amiga.
Mas já não tinha penas para voar até ela. Distanciara-se
tanto que não sabia mais como encontrá-la. Tentou caminhar,
a floresta era muito perigosa e com muitos animais selvagens. Foi atacado.
Não resistiu e morreu. O vento soprou as folhas secas da árvore
antiga e fez esvoaçarem as penas que restaram do passarinho.
À noite, duas luzes se ergueram do chão em direção
ao céu. Nele se fundiram e formaram um todo, iluminando o bosque
e gerando vida. Choveu. As gotas alimentaram novas células, que
com a luz se reproduziram e cresceram.