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Eu te procuro e te procuro pelo ar
Na esperança de ver se te encontro por aí
E não te encontro, por mais que tente te achar
Ficando triste, vou ficando só, aqui

De quando em vez, as nuvens dessa noite fria
Tomam formas, que penso serem tuas
Creio que nessas imagens que o meu cérebro cria
Haja muito de ti e pouco de um devaneio.

Às vezes, cansado, resolvo ir me deitar
E toda essa quimera abandonar
Retirando-me, passo a passo da janela

Vou então dormir para tentar te esquecer
Mas em sonhos, outra coisa não consigo ver
Pois, velando o meu sono, tu figuras nela.
 
EM 1960 PARA A MÃE MORTA