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Procura-se luz Mas que mundo? Ou nos que Contudo,
E se vêem trevas O das cores? Não o cometem Procura-se
Procura-se certeza O da poesia? Por receio? Procura-se
E se encontra dúvida Não! Ou porque Sempre
Procura-se amor O da decadência Talvez lhes falte Na constância
E se descobre sexo O do poder nefasto Grandiosidade? Do desejo de crença
Procura-se sonho O da amplitude   Na inconstância
E falta fantasia Da falsidade Até para errar, Das boas descobertas
  E da hipocrisia Se tem que fazer Procura-se talvez
Procura-se som   Quem não faz, Encontrar
Onde estão os sons? Onde está a verdade? Jamais errará Em cada homem
Nos cânticos celestiais? Procura-se verdade Quem não é, Um pequenino Deus
Nas vozes infantis? Não há verdade Jamais deixará de ser  
Nos sorrisos puros, Procura-se riso   Ou mesmo
Primaveris? Não há alegria Procura-se muito, Um pouco de compreensão,
No gorjear dos pássaros? Ou melhor, há Procura-se tanto Um pouco de boa vontade
No arrastar A alegria imbecil E o tanto que se espera, Um pouco de entendimento,
Das folhas no chão? Dos medíocres Tão pouco se vê Talvez
Ou nos galhos   Que talvez melhor fora Mas há a vaidade
Balançados ao vento? Mas Não ver, não querer E quanta!
Quem sabe nas almas? O que é ser medíocre? Ou ver e não ver  
Quem sabe nos rios? Não é ser igual? Ou ver e não crer Procura-se luz
  Não é ser comum?   Só se vêem
Não! Não é ser feliz? Procura-se tanto Sombras aflitas
Estão na ira dos homens, Não é ser vulgar? E tão pouco Procura-se esperança
Nas buzinas Que há mais fácil Há de verdade Só se vê nostalgia
No verberar odioso das discussões Que a vulgaridade? Tão grande  
Nos gritos, nos tiros, nos canhões Que por si só É a mesquinhez Quem sabe a procura
Na morte, na dor e na agonia É tão imbecil Tão forte a estupidez Irmã da ciência

Procura-se aroma

A ponto de nem sequer Tão generosa Na pesquisa, na luta
Que arrependimento! Se reconhecer? A ignorância Não descobrirá a alegria?
O olfato deve ter de ter olfato Onde está o erro? Que talvez E os homens, menos anões
Que podridão Nos que o cometem Melhor fora Viverão em paz
Se exala desse mundo! Sem saber? Até nem nascer Procura-se paz e harmonia
       
ESCRITO EM 28/11/1965