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Talvez seja hora Talvez seja hora Porque Pai sou tão covarde?
De apagar a luz De se despedir Porque não vou
Escurecer o quarto De forma diferente Sem fazer alarde?
Deitar e dormir Ir sem retorno Porque
  Para onde não se sabe Quero ser convencido
Talvez seja hora Como não se sabe Que ainda há tempo?
De partir De onde veio Quando não há
Dizendo ou não   Que ainda há vida
Adeus Talvez seja hora Onde não há?
  De não sentir mais dor Que ainda resta
Deixando para traz De não querer amor Algum resquício
O que foi De não ouvir perdão Quando tudo
E o que não foi   Há muito já secou?
  Talvez seja apenas hora Que apego é esse
O que valeu De pedir perdão Que me prende aqui
E o que não valeu Talvez seja hora Por razão nenhuma?
A pena De dizer amém Que vontade é essa
  De lembrar ao Pai De ficar na pista
Talvez seja hora Que espera ser aceito Que não se justifica?
De esquecer pessoas E de fazer direito Lá no íntimo
De apagar lembranças Para não se arrepender depois Alguma coisa me diz
De não ter mais esperanças Permanece
  Talvez seja hora Um pouco mais que seja
Talvez seja hora De arrumar as malas Mas cada vez mais
Para muitas coisas De comprar somente o bilhete de ida Essa vontade diminui
Para não mais trocar de roupa De olhar para traz com saudade E a alma pede para ser liberta
Comer, beber E de fazer um aceno de despedida Que vontade é essa?
Tomar banho ou cuspir Na estação da vida Que vontade é essa?
     
ESCRITO EM 8/5/2004 ÀS 19h50m