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Eu fui quando cheguei Poeta não é vagabundo O sol nasce para todos
Mas agora não sou rei Sonha em consertar o mundo Mas a noite
  Mas nem conserta o seu Chega no final do dia
Vieram outros depois    
E tomaram o meu lugar Solitário na multidão Meu coração já rateia
Poucos me fizeram sorrir Vivi assim os meus anos Meus cabelos embranqueceram
Muitos me fizeram chorar Dando sem receber Amei muitas pessoas
    Mas não encontrei
Devo ter os meus defeitos À Deus agradeço sempre A alma gêmea
Porque não conheço perfeitos Meu único amigo  
Distribuo alegria E fiel companheiro Quero ser tudo para todos
Amor e compreensão Que nunca me deixa aflito Que nem dão parte para mim
Conselhos de nada valeram E sempre me diz: - Vale a pena Tento distribuir alegria
Não recebi gratidão   Muitas vezes chorando por dentro
  Há que ser justo e correto  
Olho com dó os pequenos Há que perdoar muitas vezes Sou um andarilho da vida
A quem a vida esqueceu   Caminhando por almas perdidas
Tentando fazer o que posso Há que se decepcionar Feito um circo errante
Sem posses para fazê-lo Quase sempre Falando com cada pensante
Quem há de ter menos que eu? Há que respirar o ar da manhã Sou um palhaço no picadeiro
     
ESCRITO NO DOMINGO DE CARNAVAL EM 22/2/2004 ÀS 14h25m