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Por suas mãos Do meu olhar Que há de ser Menos símio e mais sapiens
Serei poeta Estás distante Do futuro? Menos corpo e mais espírito
Estafeta Errante, fulgidia E de nós dois? Mais amor com calor
Estátua de gelo Feito um cometa   Mais verdade sem mentiras
Aicebergue invertido Que atravessa o céu Depois  
  À procura do invisível Que nossos corpos É no silêncio do meu íntimo
Mostrar-te-ei meu âmago   Desfeitos Que agora deposito
O melhor que tenho Quem haverei de ser   Essa esperança
De mim Nesse mundo opaco Em pó  
Esconderei o ruim De cores e de espíritos? Voarem no vento A minha alma solitária
Para que não te fira   Ao infinito? Cansada
Para que não chores Mutante, muleta   De tantos falsos amigos
Nem uma só lágrima Mutreta, catarro Eu te digo amiga minha E de tantas mentiras
Se depender de mim Guimba de cigarro Querida amiga Pede a Deus que
  De algum mendigo Que nas madrugadas Nos proteja e aos humildes
Dar-te-ei o céu e poesia Esquecida? Feito um monge  
Em minha rebeldia   Tem me ouvido Quando me for
Cantarei louvores Não sei te dizer agora   Lembrarás que um dia
Sem desamores O que é a vida As gotas de lágrima Alguém distante
Apenas Pois só o silêncio da morte Que de mim caem agora Perfumou o teu caminho
A falar de ti Tem-me feito companhia Regarão nossos pós Com palavras-pétalas
Musa do meu   Que feito barro De amor e de carinho
Silêncio Tal um condenado Moldarão novos seres
Algoz da minha apatia Cabisbaixo Sentimentais, sinceros A teus pés joguei
  Dirijo-me pé-ante-pé Simples e amigos A maciez das flores
Ouve a minha voz agora Até a beira do abismo   Embelezando e a tua vida
Que te suplica E me projeto no espaço Quem sabe Alegrando os teus dias
Um pouco de atenção De peito e braços abertos Se essas novas criações Suavemente os colorindo
Apenas isso Sem amor, sem amparo Não iniciarão Transformando-os para sempre
Amiga passarinha Sem abrigo, sem amigos Um novo ciclo? Num jardim florido
       
ESCRITO EM 8/4/2004 ÀS 13h25m